Mommy Makeover: Quando Vale a Pena Combinar Abdômen e Mamas em uma Única Cirurgia

Por Dr. Alexandre Sanfurgo

texto escrito por

Dr. Alexandre Sanfurgo

Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery, possui mais de dez anos de profissão. Seu currículo soma reuniões científicas, palestras, aulas, congressos, jornadas, simpósios, publicações nacionais e internacionais, além de cinco cursos de extensão e aperfeiçoamento em São Paulo, Miami e Michigan, nos Estados Unidos.

Por Dr. Alexandre Sanfurgo — Cirurgião Plástico, CRM-SP 112499, RQE 69427

Introdução

“Mommy makeover” é o termo popular para um conjunto de cirurgias plásticas que tratam, ao mesmo tempo, as alterações mais comuns da gestação: abdômen e mamas. A ideia de resolver tudo em uma única cirurgia é atraente — menos tempo de afastamento total, uma única recuperação. Mas essa decisão precisa passar primeiro por um critério técnico de segurança, não só de conveniência. Este artigo explica o que pode ser combinado, e o que define se vale a pena fazer assim no seu caso.

O Que é o Mommy Makeover

Mommy makeover é uma combinação planejada de cirurgias plásticas que tratam as alterações mais comuns da gestação — tipicamente abdômen, mamas e áreas adjacentes — em um único procedimento ou em etapas, conforme a segurança clínica.

Não é um procedimento único, e sim uma combinação planejada de cirurgias, escolhida conforme a queixa de cada paciente. As combinações mais comuns envolvem:

•Correção da diástase abdominal (por abdominoplastia tradicional, ou por técnica minimamente invasiva/robótica como a MIRELA®, conforme o perfil de pele)

•Mastopexia, com ou sem prótese, para tratar a queda e/ou perda de volume mamário

•Lipoaspiração de áreas adjacentes (flancos, dorso), quando indicada

Quais Procedimentos Podem Ser Combinados

Tecnicamente, é possível combinar mais de um desses procedimentos no mesmo ato cirúrgico. Mas “possível” não significa “indicado para todo mundo” — a viabilidade depende de uma análise de segurança que vem antes da conveniência.

A Decisão Real Não é “Tudo de Uma Vez”, é Segurança Antes de Conveniência

A indicação de mommy makeover deve ser baseada em critérios de segurança clínica — tempo cirúrgico, fatores de risco individuais, infraestrutura hospitalar — não apenas no desejo de resolver tudo em uma única cirurgia.

Esse é o ponto central deste artigo, e o que diferencia uma boa indicação de mommy makeover de uma decisão guiada só pelo desejo de “resolver tudo de uma vez”. A literatura de cirurgia plástica é clara sobre dois fatores de risco que aumentam diretamente com a combinação de procedimentos:

•Tempo cirúrgico: estudos brasileiros de avaliação de risco em cirurgia plástica identificaram o tempo cirúrgico acima de 4 horas, somado à associação de procedimentos, como um dos principais fatores preditivos de complicação pós-operatória.

•Tromboembolismo venoso (TEV): cirurgias com duração acima de 2 horas, e especialmente as combinadas, têm risco mais elevado de trombose venosa profunda e embolia pulmonar — uma das causas de morte hospitalar mais evitáveis quando a profilaxia adequada é seguida. Um estudo retrospectivo na Clínica Ivo Pitanguy, acompanhando 1.700 cirurgias ao longo de quase 5 anos (quase metade delas combinadas), não identificou nenhum caso de trombose ou embolia depois da implementação de um protocolo estruturado de prevenção — o que mostra que o risco é gerenciável, mas exige protocolo, não confiança no acaso.

Na prática, isso significa que a pergunta certa não é “posso fazer tudo junto?”, mas sim “qual é o tempo cirúrgico estimado para o meu caso específico, e esse tempo está dentro do limite de segurança que o meu cirurgião e a equipe de anestesia consideram adequado para mim?”.

Como o Cirurgião Decide Se Pode Combinar

A avaliação leva em conta:

•Saúde geral e fatores de risco individuais: histórico de trombose, tabagismo, obesidade, apneia do sono, doenças cardiovasculares e uso de hormônios (como anticoncepcionais) aumentam o risco em cirurgias longas

•Extensão de cada procedimento isoladamente: uma mastopexia simples soma menos tempo que uma mastopexia com prótese; uma correção de diástase robótica isolada soma menos tempo que uma com lipoaspiração extensa associada

•Infraestrutura hospitalar: disponibilidade de UTI, equipe de anestesia e protocolo de profilaxia de TEV adequados para cirurgias mais longas

•Estimativa total de tempo de mesa cirúrgica: somando os procedimentos propostos, dentro do limite que o cirurgião considera seguro para aquele paciente específico

Em Quantas Etapas? Um Tempo x Dois Tempos Cirúrgicos

Quando a soma dos procedimentos desejados ultrapassaria o limite de segurança individual, a recomendação técnica costuma ser dividir em duas cirurgias, com um intervalo de recuperação entre elas — em vez de comprometer a segurança para entregar tudo de uma vez. Essa divisão não é um “plano B” inferior; é, frequentemente, a decisão clinicamente mais responsável para o perfil daquela paciente.

Recuperação de um Procedimento Combinado

A recuperação de uma cirurgia combinada tende a ser mais demandante do que a de um procedimento isolado, simplesmente porque o corpo está se recuperando de mais de uma área ao mesmo tempo. Os cuidados pós-operatórios de cada procedimento (cinta abdominal, sutiã modelador, restrição de esforço, drenagem linfática) se somam, e o planejamento de apoio em casa nas primeiras semanas costuma ser mais importante do que em cirurgias isoladas.

Quando Não Vale a Pena Combinar

Vale reforçar: não combinar todos os procedimentos de uma vez não é “perder a chance” ou fazer “pela metade”. Pacientes com fatores de risco relevantes, mamas ou abdômen que exigem correções tecnicamente mais extensas, ou que simplesmente preferem um pós-operatório mais leve por etapa, têm na divisão em duas cirurgias uma opção igualmente válida — muitas vezes a mais responsável.

Perguntas Frequentes Sobre Mommy Makeover

Mommy makeover é mais barato que fazer as cirurgias separadas?

Pode haver economia em custos fixos (uma só internação, uma só anestesia geral), mas o fator decisivo para a indicação deve ser sempre a segurança clínica, não o custo.

Quanto tempo de afastamento o mommy makeover exige?

Varia conforme os procedimentos combinados e a recuperação individual. É sempre definido em consulta, considerando a extensão real do que será feito.

Posso escolher quais procedimentos combinar?

A vontade da paciente é o ponto de partida, mas a viabilidade técnica e de segurança de cada combinação é avaliada pelo cirurgião, considerando saúde geral e tempo cirúrgico estimado.

Mommy makeover inclui sempre diástase, mama e lipo?

Não necessariamente. O “mommy makeover” é só o nome popular para a combinação personalizada de procedimentos pós-gestação — pode incluir só duas áreas, ou até uma combinação diferente, conforme a queixa de cada paciente.

Considerações Finais

O mommy makeover pode ser uma boa opção para quem busca resolver alterações de abdômen e mama no pós-parto, mas a melhor versão dessa cirurgia é a que respeita o limite de segurança de cada paciente — não a que promete resolver tudo em um único dia, a qualquer custo. Para entender cada parte separadamente, veja nossos artigos sobre abdome pós-gestação e mastopexia com prótese.

Quer Saber Mais?

Quer entender se o mommy makeover é indicado para o seu caso, e em quantas etapas? Agende uma avaliação com o Dr. Alexandre Sanfurgo, cirurgião plástico em São Paulo, com atuação nos hospitais Israelita Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.

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Sobre o Autor

Dr. Alexandre Sanfurgo — CRM-SP 112499 | RQE 69427

Cirurgião Plástico com mais de 24 anos de experiência médica, sendo mais de 20 anos dedicados à Cirurgia Plástica. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), Membro da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), Cirurgião Robótico Certificado pela Intuitive Surgical (da Vinci), Proctor em Cirurgia Robótica reconhecido pelo CBC/RAID, e Regente do Capítulo de Cirurgia Robótica da SBCP (2026–2027).

Atua nos hospitais Israelita Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star, em São Paulo. Pioneiro na técnica MIRELA® na América Latina, é o único cirurgião plástico na América Latina e Europa a realizar a técnica 100% e o maior conhecedor desse procedimento.

Referências

1.Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP). Fatores preditivos de complicações em procedimentos da cirurgia plástica — sugestão de escore de segurança (tempo cirúrgico > 4h e associação cirúrgica como fatores de risco).

2.RBCP / SciELO. Tromboembolismo venoso em Cirurgia Plástica: protocolo de prevenção na Clínica Ivo Pitanguy (1.700 cirurgias, ~47% combinadas, zero casos de TVP/TEP após protocolo estruturado).

3.Prevenção do tromboembolismo venoso em cirurgia plástica — revisão sobre tempo cirúrgico acima de 2 horas e cirurgias combinadas como fatores de risco para TEV.

4.American Society of Plastic Surgeons (ASPS) — dados de incidência de TVP em cirurgia plástica nos EUA.

5.Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336, de 13 de setembro de 2023 (publicidade médica). Diário Oficial da União.

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